Qui 4 Mar 2010
Calor, alimentação inadequada e suor são fatores que potencializam a oleosidade da pele. Quando esse excesso beira os olhos e atinge a pálpebra, o risco de desenvolver triquíase é grande. “A triquíase é a alteração na direção dos cílios, que passam a entrar em contato com os olhos”, explica a oftalmologista Patricia Moitinho, especialista em pálpebras do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB).
A triquíase é causada, muitas vezes, pelo aumento da camada oleosa sobre a pálpebra podendo levar à blefarite, a inflamação dessa região. A alteração incomoda bastante seu portador e pode agredir de forma definitiva a córnea se não for tratada adequadamente, alerta a médica.
Um dos sintomas mais evidentes no quadro de triquíase é a sensação de areia nos olhos causada pelo atrito entre os cílios e a córnea e conjuntiva. Segundo a especialista, a constância deste contato cílios/córnea pode favorecer o aparecimento de vermelhidões oculares, conjuntivites, ceratites (inflamações na córnea) que evoluem, em alguns casos, para um quadro de úlcera nessa região ocular.
Causas – Pessoas com tendência a apresentar pele oleosa, seborréia (caspa) podem desenvolver o quadro de blefarite com mais frequência, causando a granulação nas pálpebras e a inversão dos cílios. Há também casos de pessoas que sofreram traumas ou cortes nessa região e passaram a ter os cílios invertidos. Além disso, os tumores palpebrais também podem favorecer ao surgimento da triquíase. O diagnóstico é feito por meio de um exame de rotina com um oftalmologista, esclarece Patrícia.
Muitas vezes a triquíase é confundida com outra doença palpebral: o entrópio, por exemplo. “Esse caracteriza-se pela inversão da pálpebra e não somente dos cílios, mas pode causar os mesmos danos à córnea já que também há o atrito entre os pelos da pálpebra e a superfície ocular”, alerta. Existe ainda o ectrópio, o oposto do entrópio, ou seja, no desalinhamento da pálpebra inferior, voltando-se para fora. Com isso, descreve a médica, há um fechamento irregular das pálpebras e a distribuição das lágrimas não acontece de forma eficaz. Pessoas em idade mais avançada apresentam com maior frequência tanto o entrópio quanto o ectrópio, constata.
Epilação – Segundo a especialista do HOB, o tratamento mais adequado para a triquíase é a epilação. “Trata-se da retirada dos cílios com cauterização do folículo piloso (raiz do pelo) para evitar que nasça novamente”, explica. Patrícia alerta ainda que diante do incômodo gerado pelo atrito entre os cílios e a córnea, algumas pessoas passam a retirar os pelos com pinças. “Isso é perigoso”, adverte. O hábito de retirar os cílios com a pinça faz os pelos crescerem mais grossos e causarem danos ainda mais expressivos à córnea.
Cuidados – Entre os cuidados que podem ajudar a evitar a oleosidade na região palpebral, amenizar os efeitos da blefarite e impedir o surgimento da triquíase estão:
• Manter as mãos limpas e unhas aparadas quando for fazer a limpeza da região ocular;
• Evitar ingestão de alimentos gordurosos;
• Fazer a limpeza frequente das pálpebras. Em caso de inflamação, aplicar compressas mornas sobre as pálpebras fechadas, durante 2 a 3 minutos, pelo menos duas vezes ao dia;
• Em caso de inflamação nas pálpebras, não use maquiagem, pode agravar
Teresa Cristina Machado / José Jance Marques
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